A representação da mulher no novo romance histórico brasileiro

Tema: Articulaciones culturales

Título: A representação da mulher no novo romance histórico brasileiro

Nombre: Dinameire Oliveira Carneiro Rios

Institución: UFBA/FAPESB

 

Resumen:

O objetivo neste trabalho é analisar o modo como a mulher é representada no novo romance histórico brasileiro, notadamente o produzido a partir da década de 1980. O novo romance histórico é considerado uma narrativa que tem o objetivo de reescrever os fatos históricos através do discurso ficcional e que molda uma constituição identitária que considera traços culturais, sociais e antropológicos, visando desconstruir e/ou retificar a versão da história oficial por meio de mecanismos discursivos como a paródia e o pastiche. Estas narrativas comprovam o quanto o discurso histórico pode ser dominado pela falta de neutralidade e de que maneira os fenômenos podem ser alterados ou mesmo falsificados por meio da linguagem. A partir deste novo tipo de romance histórico, vozes outrora silenciadas por versões historiográficas amplamente difundidas e conhecidas passam a se inscrever na história como parte ativa e significante dela, num processo de revisão em que eventos históricos começam a ser relidos e reordenados dentro de padrões despidos de convenções arcaicas e segregacionistas. Mulheres, negros, homossexuais, por exemplo, passam a ocupar um espaço que lhes foi extraído por interesses históricos regidos por valores hegemônicos e/ou falologocêntricos que expurgavam para a margem qualquer discurso que se assemelhasse a uma ameaça à ordem social imposta. É sobre estes personagens que o romance histórico produzido a partir da segunda metade do século XX passa a se centrar. Assim, utilizando como referência os romances Tropical Sol da Liberdade (1988), de Ana Maria Machado, e Desmundo (1996), de Ana Miranda, pretende-se analisar a representação feminina conforme foi construída nessas narrativas, problematizando-a a partir de um olhar analítico-comparativo.