Educação e Cultura

Tema: Articulações Culturais

Título: Educação e Cultura

Nombre de las coordinadoras: Profa. Dra. Tânia Mara Rezende Machado. Profa. Dra. Valda Inês Fontenele Pessoa.

Resumen:

O debate em torno do lugar da cultura nas políticas e práticas educacionais contemporâneas suscita-nos a propor a mesa intitulada Educação e Cultura com o  objetivo de congregar estudos e pesquisas que foquem a articulação de temáticas relativas às políticas públicas e consequentemente as práticas educacionais nas instituições brasileiras, permeadas pelas marcas culturais que as constituem, especialmente quando observamos os encaminhamentos fornecidos pelas políticas públicas  educacionais  brasileiras ora em curso. As políticas educacionais que orientam na atualidade o fazer das instituições escolares, e a materialização em práticas no cotidiano da sala de aula têm sua gênese na década de noventa do século passado, quando é iniciada a sua conformação. Na Conferência de Jontiem na Tailândia foi traçado o novo ideário para a educação, alinhada às reformas dos Estados da América Latina e do Caribe. A partir de então, o Brasil ao submeter-se a essa nova lógica de orientação, passou a realizar  um conjunto de reformas que continuam progressivamente ajustando as atividades das escola aos objetivos econômicos e ideológicos de mercado. Evangelista (2012), além dessa constatação, põe em relevo a semelhança das novas orientações para a educação com as diretrizes demandadas por organismos internacionais que ao financiar tais reformas, também as submetem a critérios de seus interesses. No Brasil, ao longo das últimas décadas, têm sido realizadas consistentes investigações, como as de (Santos, 2002); Damasceno (2010); Pessoa e Santos (2014), Melo (2010), Machado (2010 que focalizam os acontecimentos da educação básica e do ensino superior, estabelecendo cruzamentos com as política pública de Estado, em que  seus resultados demonstram um grau significativo de alienação por elas produzidas. Tais políticas, ao reduzir e circunscrever as experiências escolares em parâmetros, tempos e espaços homogêneos, sem levar em consideração a diversidade que congrega nesses ambientes, favorecem a formação de sujeitos passivos, voltados exclusivamente para as possibilidades de empregabilidade, silenciando e inviabilizando outras dimensões tão importantes quanto essa, restringindo o campo plural da formação. Essas políticas  colocam no centro da discussão a preparação para o trabalho técnico,  seguindo a agenda globalmente estruturada. Ao mesmo tempo em que acusam o desrespeito acentuado,  dirigido aos  por professores e alunos, as pesquisas também apontam que os agentes produtores das políticas públicas educacionais não dão crédito ao potencial intelectual dos professores das escolas da educação básica, uma vez que seus saberes não são solicitados, menos ainda, chamados a opinar sobre a realidade a qual estão inseridos. No entanto, afirmam que quando essa categoria profissional é convocada é para “entrarem num debate tardio que os submetem a um reduzido status técnico para o cumprimento de determinações decididas por especialistas distantes da escola e dos acontecimentos diários vivenciados no cotidiano do espaço público escolar” (Pessoa e Santos (2014), p. 770). Por outro lado, apesar de toda essa tentativa de controle do trabalho pedagógico realizado pela escola, as investigações também ressaltam que mesmo sendo colocado o cerco vigilante nessas ações, evidencia-se o  empobrecimento dos saberes, da interculturalidade, da diversidade e das inúmeras possibilidades presentes no espaço da sala de aula, essas políticas não têm impactado em qualidade a realidade escolar. O baixíssimo desempenho dos alunos, em sua maioria, diz o quanto está reduzida a liberdade para os docentes criarem, impossibilitados de construir saídas consoantes ao que é diverso e imponderável da realidade cultural e social do espaço educativo institucional. O que é cruel e o quanto não querem ver, é que nenhum modelo uniforme, monocultural dará conta de atender a diversidade presente nas salas de aula, povoada por diferentes grupos sociais e culturais, antes ausentes, mas que com a democratização do ingresso passaram a adentrar. Compreender os processos de significação e as relações que se dão no espaço escolar com essa conformação, revelam narrativas que não possibilitam enxergar a complexidade e pluralidade dos sujeitos e fenômenos, ocasionados pelas diferentes marcas dos grupos sociais e culturais que lá habitam. Assim, instigadas pelo pensamento de  Giroux (1986, 1997), que defende que a educação ocorre por intermédio da noção de “política cultural”, pela presença das diferentes culturas no espaço escolar, como também por  Hall (1997), que revela o quanto a cultura é constitutiva de todos os aspectos da vida social, afirmando a “centralidade da cultura” e por Perez Gómez (1998) que sugere a compreensão da escola como um ambiente de “cruzamento de culturas”, propomos essa mesa com a pretensão de articular trabalhos do  campo epistemológico e interdisciplinar das políticas de educação, da filosofia, do currículo, da didática e da formação de professores. A mesa pretende aglutinar pesquisas referenciadas nos Estudos Culturais e na Teoria Crítica que reúnam estudos teóricos, documentais, narrativas e relatos de experiências educacionais de modo a atender a um público alvo composto por pesquisadores na área da educação, professores, alunos da graduação e pós-graduação, assim, como grupos ligados aos movimentos sociais.

Referências:

EVANGELISTA, O. Políticas públicas educacionais contemporâneas, formação docente e impactos na escola. In Almeida et. al. Políticas educacionais e impactos na escola e na sala de aula. ENDIPE.  e-Book – http://junqueiraemarin.com.br, 2012.

GIRUOX, Henry A. Teoria crítica e resistência em educação. Petrópolis: Vozes, 1986.

HALL, Stuart. A centralidade da cultura: notas sobre as revoluções de nosso tempo. Educação & Realidade, v. 22, n. 2, p. 15-46, 1997.

MACHADO, Tânia M. Rezende. A revisão curricular do curso de licenciatura da Universidade Federal do Acre (1996-2005): Relações de poder e resistência. Tese: PUC, 2010.

PÉREZ GOMEZ, Angel. La cultura escolar em la sociedad neoliberal. Madrid: Morata, 1998.

PESSOA, Valda Inês Fontenele. As vozes das professoras sobre suas formações: estudo realizado com professoras do ensino fundamental de uma escola pública de periferia na cidade de Rio Branco – Acre. Campinas-SP: Unicamp, Dissertação de Mestrado, 1999.

SANTOS, Lucíola Licinio de C. P. Políticas públicas para o ensino fundamental: parâmetros curriculares nacionais e sistema nacional de avaliação (SAEB). Revista Educação & sociedade, vol. 23, n. 80, setembro, 2002.

SILVA, Tomaz Tadeu da. Documentos de identidade: uma introdução às teorias do currículo. Belo Horizonte: Autêntica, 1999.